sábado, 8 de junho de 2013

Dois poemas de Affonso Romano de Sant’Anna


O LEITOR E A POESIA

Poesia
          não é o que o autor nomeia,
          é o que o leitor incendeia.

          Não é o que o autor pavoneia
          é o que o leitor colhe à colmeia.

          Não é o ouro na veia,
          é o que vem na bateia.

Poesia
          não é o que o autor dá na ceia,
          mas o que o leitor banqueteia.



                                                                   LINGÜÍSTICA

                                                                   Diz o lingüista:
                                                                   — “a palavra cão não morde”.
                                                                   Morde.
                                                                   Saí com a perna sangrando após a aula.

                                                                   Diz o lingüista
                                                                   — “a palavra cão não late”.
                                                                   Late
                                                                   E não me deixa dormir
                                                                   com seus latidos.

                                                                   Diz o linguista
                                                                   — “a palavra cão não come”.
                                                                   Come
                                                                   e se alimenta de minha carne.
    

33 comentários:

  1. E poesia é assim, escrita pelo poetal lida em diferentes dimensões.
    Escrever o que vai e ponto.
    Beijinho

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  2. Adorei o "Linguística" e matei as saudades do trema! :-)

    Beijos,

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  3. Limerique

    Se regras gramaticais você não grava
    Quando tenta dela fazer sua escrava
    Cuidado, meu amigo
    Pois você está fodido
    Será mordido pelo cão palavra.

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  4. Limerique

    Porque o escritor escreve o que quer
    Ao leitor cabe ler como lhe aprouver
    Empolado escreve o douto
    Confunde cabeça do outro
    Só não pode trocar homem por mulher.

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  5. O Afonso, ah! é o Afonso, sem soberba não controversa, faz poesia.
    Abr.,

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  6. Bela poesia, dois poemas incêndios. Abraço!

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  7. Muito bom, curtas e diretas!
    Grande abraço, sucesso e grato pela visita!

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  8. Muito legal, Fred! Tanto os do Afonso como o seu.

    Beijo pra você.

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  9. o Affonso é meu poeta favorito
    infelizmente ainda pouco conhecido...

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  10. Olá, tudo bem?

    Belíssimo post!
    Será sempre bom passar por aqui, gosto de apreciar as coisas que você escreve e seleciona com tanto cuidado.
    É um grande prazer deixar meu comentário dizendo que adorei sua postagem!

    Desculpe meu sumiço, a faculdade está me consumindo =p


    Vou deixar uma frase aqui que acho muito bonita como um presente para vc:

    "Por fora, já desistiu. Por dentro, sempre descobre alguma desculpa
    para recomeçar." (Fabrício Carpinejar)


    Um grande beijo!

    ;**

    www.gabs-13.blogspot.com

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  11. a poesia pede licença em alto grau



    abraço

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  12. Poesia não é pra quem quer, é pra quem é. O Afonso é, e você também, Fred. Meu abraço.

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  13. Poesia é o que vem da alma, seja lá o que for.
    Gosto de te ler.

    Beijinhos

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  14. Duas boas escolhas poéticas.
    Quanto ao primeiro, não podia estar mais de acordo com o que diz o poeta. É isso mesmo, a poesia está nos olhos de quem lê.
    Caro amigo Fred, tem uma boa semana.
    Abraço.

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  15. gosto que só do que ele escreve.

    flores.

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  16. A Poesia é uma leitura e interpretação pessoal. A intensidade e o entendimento são variáveis conforme o espírito do leitor.
    Mas o cão, só não morde enquanto ladra...
    Boa selecção.

    Abraços


    SOL

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  17. O leitor e a poesia, relação muito intima, que quem ta de fora nunca entende.

    Boa tarde moço, "_"

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  18. escolheste a dedo estes dois poemas...dizem o que as palavras nao gostariam se perdessem a voz.

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  19. palavras de quem sabe muito sobre o assunto poesia

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  20. Os ensinamentos de Affonso Romano de Sant’Anna.

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  21. Inteligência e humor. Gostei.
    Beijinho

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  22. Me acrescenta muito comparecer aqui...

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  23. O bonito da arte é sempre isso, quando ela deixa de pertencer ao artista e passa a ser das inúmeras interpretações que fazemos dela.

    Bjos!

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  24. Caro amigo

    Estas são palavras
    sábias,
    que de um modo
    simples e direto
    nos fazem pensar
    e refletir.

    Que haja sempre em teu coração
    um motivo para sonhar a cada dia.

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  25. Massa!não conhecia esse Linguística e tenho uns versos similares...

    Bjo

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  26. Este comentário foi removido pelo autor.

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  27. Poesia que incendeia, que banqueteia. Um doce regado de mel.

    Mas tem um ditado que diz: Cão que não late não morde.

    Um bom dia.

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  28. mais um grande poeta de Minas. Visceral!

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  29. Por favor, sr. lingüista: não trema.

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Salve, salve, camarada!
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