sábado, 1 de junho de 2013

COMO “O BICHO” DE BANDEIRA


Um homem aflito,
sem luxo, no lixo;
às vezes reflito:
és homem ou bicho?

Não deixa nenhuma pista
nos lugares onde passa;
não é belo para a vista,

nele só se vê desgraça;
pois a sua condição é mista:
irrelevante e ameaça.

São todos visíveis
— isso nunca nego —,
nada de invisíveis:
nós que somos cegos.
       

31 comentários:

  1. Como “O bicho” de Bandeira encontrar-se no e-book Lâmina de 3 Gumes, disponível para download no blog.

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  2. Em plena progressão, você está cada dia melhor, sabia?

    Abração!

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  3. Fred,

    Sim, é verdade, e o aprendizado também é treinar a visão, o paladar, o tato, a audição.

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  4. Vou com a Dade: cada vez melhor, você. "O bicho, meu Deus, era um homem!".

    Beijos,

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  5. um poema
    que poderia ter se inspirado na música "cidadão de papelão" do Teatro Mágico
    se não fosse esta baseado em uma dura realidade

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  6. E há quem só veja o que quer ver :)

    Beijos

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  7. Limerique

    Embora o próprio destino ele traça
    As vezes o homem cai em desgraça
    É homem e bicho
    É lasso e lixo
    Pois agruras em seu destino grassa.

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  8. Belíssima obra, Caju!
    Cunho social na veia!
    Grande abraço e sucesso!

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  9. nós que somos cegos...

    e hoje li um poema teu que arrebentou com tudo:

    Nasço o dia
    quebrando tijolos

    saio à noite
    mexendo farelos,

    passo o dia
    preparando solos

    caio à noite
    erguendo castelos.

    beijo, beijo

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  10. Somos piores que cegos. Nós nos negamos a ver aquilo que nos desagrada.

    bj

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  11. E continuamos cegos, quando não surdos e mudos. É uma pena que sejamos tão insensíveis. Meu abraço.

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  12. Há pesooas com uma vida bem pior que a dos bichos.
    Gostei do poema, tem mensagem...
    Caro amigo, tem um bom domingo e uma boa semana.
    Abraço.

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  13. Muito bom! "Nada de invisíveis, nós que somos cegos" Nos fazemos. Abraços!

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  14. E como dizem os anjos iluminados... A caridade pode ser feita também, não apenas com doações materiais, basta que não sejamos cegos... Um olhar, um sorriso, pode fazer tanta diferença no dia deles. Pode acender mesmo que pouco, a chama interna.

    Beijo.

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  15. exatamente isso que eu sempre penso. nós é que somos cegos.

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  16. Poema pra mexer com os nossos brios e fazer-nos mexer o bundão da cadeira, Fred.
    Abr.,

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  17. Por entre vielas nuas,
    cruas,
    sós,
    rasteja a sua dor
    como animal enjaulado.
    Olhares de desdém rasgam-lhe a pele.
    A indiferença fura-lhe as entranhas.
    Transpira tristeza pelos poros sujos de desilusão.
    Inspira amargura até ao ínfimo dos alvéolos que insuflam de miséria e solidão.
    Existir assim, será viver?

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  18. Perfeito o olhar, Caju.
    É isso! Sem mais...

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  19. Hoje, a propósito, li isto (de Machado):
    "As dores alheias fazem lembrar as próprias e são um corretivo da alegria, cujo excesso pode engendrar o orgulho".

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  20. Muito bom,
    um olhar do mundo.

    Beijos

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  21. Muito bom, poeta Fred Caju sempre afinado!

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  22. Acho que homem e bicho ao mesmo tempo. Sempre.

    É impossível separar, por mais que a nossa tendência seja ver apenas o que salta primeiro à vista...

    aquele abraço!

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  23. Como o bicho de bandeira: está lá, mas ninguém diz ver.


    Abraço


    SOL

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  24. ... Sinto uma simpatia por essa gente toda,
    Sobretudo quando não merece simpatia.
    Sim, eu sou também vadio e pedinte,
    E sou-o também por minha culpa.
    Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:

    É estar ao lado da escala social,
    É não ser adaptável às normas da vida,
    As normas reais ou sentimentais da vida...

    Fernando Pessoa/Alvaro de Campos

    (Interessante, já usei esse trecho de poema três vezes hoje em comentários, inclusive no blog de Vanessa, Pessoa unipresente).

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  25. Tantos do lixo no meio dos aflitos quase estragam a nossa bandeira. Muitos não viram, mas nós enxergamos.
    Oportuno hoje com os protestos que se sucederam.

    Um abraço

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