sábado, 4 de maio de 2013

JAQUELINE


Um rio que corre para o mar
tem um caminho previsível,
pois não dispõe de alternativas,
sempre terá que se encontrar
com outras águas receptivas.

A minha vida é como as águas,
levará sempre ao mesmo fim;
eu sou como um rio caudaloso:
escuro e poluído por mágoas
e claro e limpo onde é valioso.

Deságuo no mais triste oceano,
que é a moradia de muitos como eu;
um mar de grande imensidão
onde está o medo dos humanos:
a mais profunda solidão.

Eu sou como a água da torneira:
útil apenas por minutos,
depois retorno ao encanamento;
minha importância é passageira,
de fixo, apenas o esquecimento.

Também sou como a água pluvial:
eu sempre vou caindo lá do alto
em movimento decadente,
a queda faz parte do normal,
já fiz da derrota um parente.

Quem me dera ser a cachoeira
para ser destaque no rio;
ir no embalo da correnteza
com suas águas aventureiras
que não conhecem a tristeza.

Contudo, minha água é parada
e triste como a de um açude:
não ocorre nenhum movimento
e jamais acontece nada,
só sou sentida pelo vento.

Não obstante, minha inércia é total
como a água de um poço profundo,
onde só se encontra a escuridão
e o silêncio se torna banal
no meio de toda essa solidão.

Porém, a lágrima é o que sou:
é triste, todavia é sincera;
represento toda a pureza
de quem, de fato, um dia já chorou
(seja de alegria ou de tristeza).

Todo rio corre para o mar
e será para lá que eu vou;
eu buscarei por algum cais
o qual me permita ancorar
e recuperar minha paz.
    

25 comentários:

  1. Jaqueline encontra-se no e-book Vênus, disponível para download aqui mesmo no blog.

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  2. Este rio percorre as veias do poeta.
    Abr.,

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  3. Limerique

    Porém apesar de tudo eu sou rio
    Porque não devo chorar eu só rio
    Derramo minha água
    Sem nenhuma mágoa
    Por isso, dizem que eu sou frio.

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  4. Oi, Fred, gostamos de falar de coisas tristes, mas, de vez em quando ancoramos num belo cais, não é? Beijão e ótimo sábado!!!

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  5. o caminho do rio é vário de mar de águas enroscadas a singrar



    abraço

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  6. Tenho todos os rios como sagrados, sejam eles alegres, tristes, limpos ou sujos, devem ser reverenciados, como você o fez, Fred. Meu abraço.

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  7. A vida continua...
    Contínua, feito um rio perene.
    Versátil, diversificada,
    Jamais estagnada,
    Morta nas poças d’água.
    Pois assim não seria vida,
    A vida não seria nada.

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  8. Sagrados líquidos que nos norteiam, que nos consomem, que nos desaguam...
    Abraços! (Grande!)

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  9. Todas as águas são as mesmas águas, aqui, ali, acolá... Mudam a forma, mas não perdem a esência.

    Beijos.

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  10. Lindo texto, a vida tambem é um rio que muda
    conforme o caminho, mas sempre vale a pena ver
    a proxima curva.

    Beijos
    PS ainda bem que não concordou com tudo.

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  11. Fredd, quarta-feira, amanhã às 19h na cultura do paço alfândega meu pai vai tá lançando um livro
    aparece se der =)

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  12. Amigo Fred

    Deixar-se levar pela corrente, sem resistências inúteis, é factor de estabilidade.
    "Lutar contra a corrente" nem sempre nos conduz a bom Mar ou boas margens.


    Abraços


    SOL

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  13. O fim pode ser o mesmo, mas o que importa é o caminho até lá...

    aquele abraço

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  14. Assim mesmo, fluímos nesse mar de gente... o que é mar da gente.

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  15. Vai ser cachoeira, homem! Se mistura e força!

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  16. Enquanto o rio corre para o mar,
    me afogo nessa poça de melancolia.

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  17. Caro amigo

    Cada palavra
    que inspira
    nossa vida,
    mesmo quando tristes,
    acorda novos
    sentidos
    em nossa caminhada.

    Viver é acima de tudo,
    a arte de abraçar os sonhos.

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  18. Gostei muito...

    Porém, a lágrima é o que sou:
    é triste, todavia é sincera;
    represento toda a pureza
    de quem, de fato, um dia já chorou
    (seja de alegria ou de tristeza).

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  19. Nada como o mar para nos recuperar a paz.
    Bonito.

    Bjs

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  20. Um rio que encontrou na poesia sua foz.

    Belo!

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  21. Inspirador!! Oi Cajú agradeço sua visita em meu blog.Abraços.

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