sábado, 1 de setembro de 2012

QUARTO


No meu quarto não há seu cheiro,
o vento o carregou pela janela
e seu perfume saiu do travesseiro;
não encontro sua toalha amarela
nem na cama e nem no banheiro...
Algumas vezes, eu até estranho
ficar sozinha sob o chuveiro,
sem compartilhar o meu banho.

Roupas e livros estão pela metade,
hoje só arrumo um lado da cama;
eu já partilhei tanta intimidade
que não vou fazer nenhum drama:
foi tudo fruto da nossa vontade...
Pena, não teres visto o criado-mudo
e o abajur que compramos na cidade,
chegaram depois que dividimos tudo.
    

25 comentários:

  1. Quarto encontra-se no e-book Contradições Coerentes, disponível para download no blog.

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  2. Limerique

    Poeta contempla a cama vazia
    Chora a noite e lamenta o dia
    Invés de conformismo
    Recorre ao lirismo
    Transforma sua dor em poesia.

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  3. no quarto guardam-se nus de uma existência,


    abraço

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  4. Olá FREd, gosto muito das tuas poesias.
    Parabéns por mais essa obra de arte poetica!
    Beijos!

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  5. Fred

    A dor da partilha é mair que a da partida.

    Um belíssimo poema.

    Bom sábado,
    bjs

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  6. Bela obra, Caju!
    Os sábados são sempre regados de qualidade por aqui!
    Grande abraço e sucesso!

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  7. Os espaços, como nossos corações, ficam vazios após a despedida. Metades não são suficientes para preenchê-los. E até nos tornarmos, novamente, inteiros, os sinais da partilha estarão em evidência. Muito lindo. Bjs.

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  8. Recomeço sem drama é a melhor forma de recomeçar.
    Lindos versos.
    Um beijo

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  9. O problema da divisão é que quando um se vai, o outro fica com o todo da falta...

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  10. Não basta separar a materialidade... se na realidade se tem ainda a lembrança por dentro.


    Beijo carinhoso, poeta.

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  11. Cajuíno amigo,

    esse é um de seus melhores escritos.É lindo demais! Quando o leio,pareço ouvir, de fundo, a trilha musical de uma canção de Ivan Lins. Confira lá...

    http://www.youtube.com/watch?v=o0wRImaltT0

    Muita paz!

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  12. tem sempre um lado, nessas divisões, que fica com a pior parte da história: o vazio.

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  13. Hunf... desse eu não gostei não! =P
    Já disse que achava que fosse daqui, né? rs...
    achava, mineiro.
    Adoro dividir, adoro os cheiros... mas quando separa dói.

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  14. Metade que além de não salvar do vazio,
    intensifica a ausência.
    Lindo por demais :D

    Beijinhos Fred :*

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  15. nada definitivo... gostei do suspense final.

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  16. Um poema pra lá de preciso. E precioso.

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  17. dos amargos distanciamentos, ficam as doces lembranças...

    lindo!

    beijo

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  18. A pessoa parte, mas suas partes ficam sempre pra trás.

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  19. Histórias de separação sempre soam tão tristes, Fred!
    E essa é direta, simples e muito bela.

    Beijo!

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  20. Quando o amor se vai fica na casa um espaço do qual não nos dávamos conta; ficam tarefas que antes não fazíamos; deixamos de fazer algumas porque agora não são mais necessárias.
    Quando o amor se vai não temos mais para quem contar o novo; para dividir a refeição, o doce, o bolo; não há mais com quem compartilhar um desejo.
    Para o que parte, o ganho do espaço e a desnecessidade das tarefas é um presente; para o que fica, ficam órfãs todas as histórias vividas.

    Ficou ótima a sua reflexão sobre a falta! Gostei muito!
    Abraços, amigo! Tenho sentido falta das tuas visitas pelo meu espaço.
    Daniel.

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