sábado, 28 de julho de 2012

Três poemas de D.Everson


AO PÓ

Deixem-me sangrar um pouco,
E manchar as paredes com a cal pálida de minhas artérias.
Já não quero lucro nem escravidão:
Mesmo que a rima seja pobre
Eu quero paz no meu coração.
Que Maiakovski me empreste uma bala.
Que Sá-Carneiro me ceda um paletó.





VII

Letícia adora gatos,
Chama um até de filho.
Os protege dos carrascos.
Chora quando uns estão partindo,
Festeja quando outros têm chegado.
Ela é mesmo um anjo,
Nem que seja da guarda dos gatos.


Extraído de Prelúdios a Letícia.



A LIBÉLULA E A LÂMPADA INCANDESCENTE

Ser teimoso é qualquer coisa de lâmpada,
Sem produzir luz ou sacudir as âncoras.
Ser teimoso é navegar na cruz da ânsia.


      

22 comentários:

  1. Em agradecimento a última atualização feita pelo comparsa.

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  2. Rapa! Minha pessoa vigorando por esssas bandas!? Grande Caju, parceiro de empreitadas poéticas e risadas nessa cidade quente da peste. Foi uma honra colocar mais uma castanha nesse Sábados de Caju semana passada. Obrigado por me deixar invadir seu espaço com meus versos parcos =]

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  3. Limerique D. Everson

    Nada de braçadas na poesia
    Coloca versos com maestria
    Da lâmpada ao gato
    Sem qualquer recato
    Foca temas que ninguém havia.

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  4. Muito bonito!
    Espirituoso também, rs.

    Ser teimoso é qualquer coisa de âncora.

    beijos

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  5. A libélula e a lâmpada incandescente é tudo de bom! Teimosia descrita com perfeição.

    Beijos, Fred

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  6. A LIBÉLULA E A LÂMPADA INCANDESCENTE,
    puxa isso já é um poema total,


    abraço

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  7. Grande D. Everson! Expoente icônico da poesia marciana!

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  8. Bom demais... mas esta frase é simplesmente fantástica: "Ser teimoso é navegar na cruz da ânsia."
    Beijo.
    Sigo com vc.

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  9. Três belas obras, muito inteligentes, bem escritas!
    Grande abraço e sucesso!

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  10. Minha teimosia se identificou com tua poesia. Teimosia em perdurar os sentimentos pelo tempo, em tempo de efemeridades.

    Abraços,

    Anna Amorim

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