sábado, 23 de junho de 2012

A EMERGÊNCIA DE UM ÉDIPO


Há algo maior para ser escrito. Não por mim; muito menos por mãos preguiçosas de poetas pós-modernos que se dizem herdeiros legítimos da criatividade. Não sei quando a poesia inventará os novos iconoclastas para derrubar os estigmas e as insígnias dos poetas medíocres que nos rodeiam, mas é urgente que alguém seja o parricida de meu tempo.

Ontem rezava ao túmulo dos meus pais: visitava a estante de minhas ambições cada vez mais empoeirada e renegada por meus ideais. Hoje rezo para que surja um novo Édipo para reinar sob a morte dos nossos genitores. Não estou desprezando as forças que me impulsionaram. Muito pelo contrário, estou homenageando-as ao desejar que alguém siga o mesmo caminho outrora trilhado por elas mesmas.

Estão tão cegos que ainda querem entrar em uma luta que não diz respeito a nenhum de nós. Pobres poetas, acaso não veem? O leviatã, cujas suas adagas penetram, há muito, não tem mais vida...

Ainda não vi o impulso de uma nova geração que pare de se preocupar em derrubar metralhas e construa o seu legado. Existe muito que se desconstruir, não nego. Apenas me preocupo com o futuro de uma era que não sabe erguer tijolos sólidos, mas apenas querer que os muros não fiquem mais de pé. Mesmo que tais muros já não protejam muita coisa.

O que quero apenas é que alguém silencie minhas angústias. Não preciso de um destruidor de ruínas, procuro alguém que venha do pó, pó me torne e pó se finde. E, que, tão somente, após me satisfazer, surja um vendaval para renovar o ciclo. Porque as brisas renovadoras não mais me empolgam: que o novo Édipo venha galopando em furacões.
       

23 comentários:

  1. A emergência de um Édipo encontra-se no e-book Contradições Coerentes, disponível para download no blog.

    ResponderExcluir
  2. Limerique

    Poeta profundamente indignado
    Propõe um Parnaso renovado
    Chora as pitangas
    Seca nas mangas
    Que novo Édipo seja louvado!

    ResponderExcluir
  3. nas asas de um Pégaso há de vir (ou como aquele Índio, num ponto equidistante)



    abraço

    ResponderExcluir
  4. Amigo Fred,
    Édipos são raros, infelizmente, mas Sísifos são muito comuns.
    Há comodismo com o atual paradigma. Pouco têm verve para destruir e reconstruí-lo.
    Seu texto é admirável pela inteligência e sabedoria.

    Abraços!

    ResponderExcluir
  5. Olá Fred, seu texto é belissimo enfocando a renovação poética com inteligência e madureza! Bravos!!Que esse Édipo venha sacramentar essa geração!
    Beijos!!

    ResponderExcluir
  6. Texto incrível. Vamos fazer uma campanha assim: "Mais Édipo, menos Narciso" rs...

    Bjo, amigão querido.

    ResponderExcluir
  7. Me deu vontade e vim te ler... (escrevo repleto de cacofonia...)

    Percebi inteligência e um não sei quê de indignação.

    Felicidades.
    Beijo carinhoso.

    ResponderExcluir
  8. Será que alguém pode silenciar as angústias de quem assim se manifesta? Em seu excelente texto não há resquícios de esperança.
    Eu me contento com menos (rss). Nem a excelência é capaz de florir todos os campos. Abraços

    ResponderExcluir
  9. Olá!
    Lindo texto para ser lido com calma e sabedoria.Absorvi cada palavra.
    Grande abraço
    se cuida

    ResponderExcluir
  10. Virá que eu vi!
    Cajú, sumo forte, em verso e prosa
    bj imenso, poeta

    ResponderExcluir
  11. Fred, acho que essa sua angústia é a mesma de quase todos os poetas que já existiram. Não se preocupe, só escreva :) beijos

    ResponderExcluir
  12. Escrever exige entrega amorosa à palavra. Acabo de ler essa entrega.

    ResponderExcluir
  13. a salvação há de existir em um por vir :)

    beijo

    ResponderExcluir
  14. Fred,penso que sua preocupação ocupa mais corações,mesmo o dos poetas medíocres,mesmo os que apenas querem destruir,mas saiba,meu amigo que ainda há esperança,com certeza!Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  15. que este Edipo não seja Ulisses

    beijo

    [eu acredito que virá, a cuspir fogo...]

    ResponderExcluir
  16. que hino/grito!
    tenho certeza de que muitos gostariam de fazer o mesmo.
    [eu me incluo.]

    beijo

    ResponderExcluir
  17. Só aqui "Não sei quando a poesia inventará os novos iconoclastas para derrubar os estigmas e as insígnias dos poetas medíocres que nos rodeiam, mas é urgente que alguém seja o parricida de meu tempo." já começou matando a pau.

    "Galopando em furacões"... Amei do começo ao fim! Inspirador.

    ResponderExcluir
  18. E não me conhece e à minha poesia?

    Gostei,

    Maria luísa

    ResponderExcluir
  19. Todos querem renovação, mas isso é uma angústia eterna...
    Parafraseando Nietzsche: "Se o universo, aqui da poesia, tivesse algum propósito, ele já teria atingido esse objetivo.
    Logo o barato da poesia é voar, viajar, voar viajar...

    ResponderExcluir

Salve, salve, camarada!
O Sábados de Caju
escuta o que pensa cada,
podem contar quaisquer fatos;
se a prosa for prolongada:
tem a sessão de Contatos!