sábado, 30 de junho de 2012

LINHA RETA


Sem escolher a direção,
ter duas respostas na boca:
ou é “sim” ou é “não”,
mente vazia, mente oca.

Antes da luta, já perder,
sair sempre vencido;
perder a vida sem morrer,
pois viver é o castigo.

Andar sem qualquer meta,
deixar a vida à sorte,
caminhar em linha reta
esperando a própria morte.

O mundo como uma ilha
pequenina e limitada,
sempre a mesma trilha
na vida já sem nada.

Um caminho sempre reto
com medo de uma esquina;
achar que tudo é correto
e não querer mudar a sina.
    

sábado, 23 de junho de 2012

A EMERGÊNCIA DE UM ÉDIPO


Há algo maior para ser escrito. Não por mim; muito menos por mãos preguiçosas de poetas pós-modernos que se dizem herdeiros legítimos da criatividade. Não sei quando a poesia inventará os novos iconoclastas para derrubar os estigmas e as insígnias dos poetas medíocres que nos rodeiam, mas é urgente que alguém seja o parricida de meu tempo.

Ontem rezava ao túmulo dos meus pais: visitava a estante de minhas ambições cada vez mais empoeirada e renegada por meus ideais. Hoje rezo para que surja um novo Édipo para reinar sob a morte dos nossos genitores. Não estou desprezando as forças que me impulsionaram. Muito pelo contrário, estou homenageando-as ao desejar que alguém siga o mesmo caminho outrora trilhado por elas mesmas.

Estão tão cegos que ainda querem entrar em uma luta que não diz respeito a nenhum de nós. Pobres poetas, acaso não veem? O leviatã, cujas suas adagas penetram, há muito, não tem mais vida...

Ainda não vi o impulso de uma nova geração que pare de se preocupar em derrubar metralhas e construa o seu legado. Existe muito que se desconstruir, não nego. Apenas me preocupo com o futuro de uma era que não sabe erguer tijolos sólidos, mas apenas querer que os muros não fiquem mais de pé. Mesmo que tais muros já não protejam muita coisa.

O que quero apenas é que alguém silencie minhas angústias. Não preciso de um destruidor de ruínas, procuro alguém que venha do pó, pó me torne e pó se finde. E, que, tão somente, após me satisfazer, surja um vendaval para renovar o ciclo. Porque as brisas renovadoras não mais me empolgam: que o novo Édipo venha galopando em furacões.
       

sábado, 16 de junho de 2012

CADÊ O POEMA QUE ESCREVI?


Escrever não traz mulher,
tão pouco promiscuidade;
com carinho e com capricho,
escrevi mais um poema
para alguém jogar no lixo.

Jamais minta que me leu,
saberei se for verdade;
será melhor que me deixe:
escrevi mais um poema
pra ser embrulho de peixe.

Escrever não traz dinheiro,
tão pouco felicidade;
dessa vida vagabunda,
escrevi mais um poema
para alguém limpar a bunda.

Jamais prometa me ler
se não tiveres vontade;
e nesse queira-ou-não-queira,
escrevi mais um poema
pra ser coberto de poeira.

Escrever não traz prestígio,
tão pouco eternidade;
ó, traças do esquecimento,
escrevi mais um poema
para servir de alimento.
    

sábado, 9 de junho de 2012

sábado, 2 de junho de 2012

ÂNGELA


Eu sigo a direção do vento,
jamais haverá tempo ruim;
farei tudo o que for preciso
para melhorar maus momentos,
para não perder meu sorriso.

Eu sei que a vida é áspera e dura,
e que viver nunca é algo fácil,
mas sei que pode melhorar,
não farei a minha sepultura
passando os meus dias a chorar.

Quando a tristeza quer falar,
eu finjo que não estou escutando
e mantenho a mente ocupada;
do nada, começo a cantar
e a alegria retorna dobrada.

A minha alegria não está em mim,
ela mora dentro do próximo;
neles, busco a felicidade
e sempre fico feliz assim,
basta crer com sinceridade.

Não ficarei em prantos à toa,
não derramarei minhas lágrimas;
se, por acaso, um dia chorar,
será por uma razão boa,
só o que poderia me alegrar.

Quando nós buscamos a alegria,
seguimos a estrada mais curta,
não vemos que a felicidade
é conquistada a cada dia
com esforço e dificuldade.

Essa eterna luta da vida
nos torna mais tensos e sérios;
tudo parece ser mais plástico,
mas a dor parece ser diluída
por via de um sorriso fantástico,

Eu queria poder dar alegria
para as pessoas necessitadas
e para aqueles que estão doentes;
talvez pudesse fazer poesia
deixando os outros mais contentes.

A alegria não é de tempo integral,
eu tenho os meus momentos tristes,
como qualquer outra pessoa;
ser triste pode ser normal,
mas eu prefiro estar na boa.

Minha alegria não vai estancar;
a fábula da pesca ensina:
a felicidade será o anzol,
o riso, a vara de pescar,
e terei você como farol.