sábado, 5 de maio de 2012

DO FIM PREVISTO


Rapaz de sorriso largo,
favor, ouça meu conselho:
mira tua face no espelho,
veja como estás amargo.

Cadê teu sorriso, fedelho?
Hoje choras sem embargo,
recusando qualquer cargo
do teu passado vermelho.

Sei, não mudaste de lado,
preservas tuas atitudes;
apenas estás cansado.

Cansado da juventude,
de correr sem resultado
contra a “geração-saúde”.
    

24 comentários:

  1. Originalmente publicado em: Poetas de Marte (14/04/2012)

    Do fim previsto encontra-se no e-book Contradições Coerentes, disponível para download no blog.

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  2. Recado sutil...

    ... e irônico, na medida certa...

    Abraços, bons caminhos!

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  3. Não entro na dança
    De academias sem fim
    Ser saudável cansa.

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  4. Recadinho político?
    às vezes faz falta olhar no espelho e enxergar a alma.
    Beijinho

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  5. no espelho há o outro, o que mira e não se vê, e muito além o que está dentro dele,



    abraço

    p.s. fui a marte e ainda estou em órbita

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  6. É na juventude que as decisões são delicadas... Prá entrar no caminho errado é um pulo, difícil é sair dele...

    Abraços e obrigada pela visita,

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  7. grande ...seu blog é muito do bom!

    abraços
    ns

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  8. desilusões políticas? um fim previsto. Abraços!

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  9. QUARTO DO SUICIDA, de Wislawa Szymborska


    Vocês devem achar, sem dúvida, que o quarto esteve vazio.
    Mas lá havia três cadeiras de encosto firmes.
    Uma boa lâmpada para afastar a escuridão.
    Uma mesa, sobre a mesa uma carteira, jornais.
    Buda sereno, Jesus doloroso,
    sete elefantes para boa sorte, e na gaveta — um caderno.
    Vocês acham que nele não estavam nossos endereços?

    Acham que faltavam livros, quadros ou discos?
    Mas da parede sorria Saskia com sua flor cordial,
    Alegria, a faísca dos deuses,
    a corneta consolatória nas mãos negras.
    Na estante, Ulisses repousando
    depois dos esforços do Canto Cinco.
    Os moralistas,
    seus nomes em letras douradas
    nas lindas lombadas de couro.
    Os políticos ao lado, muito retos.

    E não era sem saída este quarto,
    ao menos pela porta,
    nem sem vista, ao menos pela janela.
    Binóculos de longo alcance no parapeito.
    Uma mosca zumbindo — ou seja, ainda viva.

    Acham então que talvez uma carta explicava algo.
    Mas se eu disser que não havia carta nenhuma —
    éramos tantos, os amigos, e todos coubemos
    dentro de um envelope vazio encostado num copo.


    (Tradução de Ana Cristina Cesar)


    (Ilustração: Jean-Marie Poumeyrol)


    Postado por Isaias Edson Sidney


    (Ilustração: Jean-Marie Poumeyrol)

    Postado por Isaias Edson Sidney
    Marcadores: Wislawa Szymborska
    http://trapichedosoutros.blogspot.com.br/

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  10. nesse mundo de desencontros até o "eu" se perde de si.

    beijos

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  11. Bom ler novamente esse poema!

    Lindo demais!

    Muita paz!

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  12. Mas eu fico
    com teu olhar cansado
    teu sorriso de lado
    e tua eterna utopia.

    A geração saúde esvai
    pelo ralo
    como água suja
    na pia.

    Um beijo acajuízado.

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  13. mas eu ainda acredito conseguir mudar o mundo...

    bem, se tal não conseguir, que não me mude ele

    beijo

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  14. "correndo contra a geração saúde"... de que vale alongar os dias se não se luta pela vida.

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  15. meus tempos de comunismo sem causa kkkkkk
    agora continuo vendendo minha alma sem causa, só que para os insanos capitalistas filhos da puta que só querem sugar meu sangue e cospir suor na minha face magra

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  16. Obrigado pela sua visita no meu cantinho. http://alguemparaconversa.blogspot.com.br/


    ''Sei, não mudaste de lado,
    preservas tuas atitudes;
    apenas estás cansado.''

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  17. Olá Fred, estou em falta com minhas visitas,mas hoje vim ler em seu espaço.Continua maravilhoso e culto como sempre.Voltarei para ler mais postagens!Beijos!

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  18. Bom dia!
    Gostei muito do seu soneto.Simples e direto.
    Grande abraço
    se cuida

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  19. Olá,

    Gostei muito dos seus escritos...

    Por aqui fico!

    Saudações

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  20. sempre digo que levar uma vida saudável é muito difícil... nos acomodamos e acomodados, permanecemos cansados.

    ciclos, meu caro.

    beijos!!

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  21. Feliz Dia das Mães...!!
    Um bom domingo junto aos seus familiares...
    Beijos,

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  22. Fantástico!

    Chega uma hora que a juventude cansa, mas já ouvi dizer que a velhice também há de cansar rsrsrs

    Um abraço!

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