sábado, 31 de março de 2012

VALSA EXTASIADA


Se tocares em minha boca
eu não respondo por mim:
é como um começo sem fim;
e se a dança ficar mais louca
com o agrado do nosso tato,
que seja na cama, o melhor
lugar para nosso contato.

Mas se essa música parar,
sabes: não respondo o que faço,
então, não estranhe meu abraço
forte (de quase sufocar)...
E, caso venham arrepios,
que não venha preocupação:
vou te aquecer com calafrios.
     

sábado, 24 de março de 2012

LUNAR


A lua vai virar um sorriso,
(minguante, para ser preciso).
Rindo sem nenhuma alegria,
a lua desaparece aos poucos;
enquanto isso, cresce a agonia
dos românticos e dos loucos.
— A lua desaparece do céu,
a poesia fica mais cruel.

Não consigo ver meu futuro,
a lua é nova e o céu está escuro.
Vou procurar algum abrigo,
no qual eu possa me esconder;
vou procurar algum amigo,
no qual eu possa me acolher.
— Neste céu sem nenhuma lua,
a poesia caminha na rua.

Eu permaneço descontente,
a lua, como a dor, é crescente.
Tento fugir deste abandono,
mas nunca consigo escapar;
há noites que perdi meu sono,
que perdi a razão de sonhar.
— A lua cresce cada vez mais,
a poesia descansa em paz.

O ápice da dor do poeta:
a lua, enfim, está completa.
Bom para todos os amantes,
mas não para quem tem saudade
daqueles que estão mais distantes
da sua própria afetividade.
— Enquanto a lua concebe a cura,
a poesia leva à loucura.

Em todas as fases lunares,
ela é a rainha dos mares.
De uma maneira quase mágica
controla o nível da maré,
minha quantidade de lágrimas
e o tamanho da minha fé.
— As fases da lua têm suas funções,
a poesia destrói os corações.
      

sábado, 17 de março de 2012

CONTRADIÇÕES COERENTES

XV

Atenda meu desejo
e morra...
Escute meus olhos
e escute o coração
(ou aquele filme)
e corra...
Atrás.

Acenda minha lâmpada
e corra...
Veja minha voz
e veja o coração
(ou aquela música)
e morra...
Em paz.
        

sábado, 10 de março de 2012

F_LT_ UM_ VOG_L

Percebi que meu orgulho
ficou perdido no céu:
no corrente mês de julho,
decidi ser muito cruel.

Tudo é incerto,
porém, vou viver
como julgo certo;

tenho que vencer,
finjo ser esperto
ou posso morrer.

Serei menos orgulhoso
— se próximo do meu fim —,
pois pode ser proveitoso
esquecer isso de mim.
      

sábado, 3 de março de 2012

SONORO


Sem sobrenome pra proteger,
sem dinheiro pra investir,
mas com muito pra escrever.

Perdido na floresta do medo
onde o silêncio é absoluto,
as rimas de minha poesia
são as únicas armas que luto.

Quando o som da poesia ecoa
até mesmo a dor e a tristeza
se transformam em coisa boa.

E mesmo que todos me digam
que a poesia não leva a nada,
continuarem sempre com ela
seguindo a minha jornada.

E só quando parar de zunir
o barulho dos versos alados
no céu que eu mesmo escrevi,

será a hora de me recolher
e de parar minha procissão:
a marcha poética que traço
parece entrar em estagnação.

Mas se essa hora não chegar
e o som ficar sempre alto,
com a poesia irei continuar.