sábado, 29 de outubro de 2011

TÃO CEDO

Nunca teve muita alternativa,
ela tivera que ser agressiva.

Voava, mesmo sem ser uma ave,
pois a vida nunca fora suave.

Lurdes ficou órfã muito cedo,
a moça foi adotada pelo medo.

A sua mãe foi a prostituição,
que lhe garantiu alimentação.

A moça sempre estava sozinha,
ninguém quis ajudar Lurdinha.

Nunca teve amparo ou refúgio,
as drogas eram o subterfúgio.

Não queria ser mais oprimida,
quis dar um novo rumo à vida.

Pensou que era muito esperta,
mas, não fez a escolha certa.

Lurdes foi cumprir seu carma,
dessa vez, trazendo uma arma.

Ocorreu uma falha no assalto,
o corpo jovem jaz no asfalto.
    

sábado, 22 de outubro de 2011

PREENCHENDO CADASTROS

— Qual é a sua profissão?
— Faço versos, sou poeta.
— Perdão, serei mais direta.
Senhor, não se ofenda,
estou lhe perguntando
a sua fonte de renda...
  

sábado, 15 de outubro de 2011

LITORAL

                  A Henrique Dantas Pinheiro de Menezes


As ondas quebram,
tubarões comem surfistas.
Crianças brincam,
como se fossem artistas.

Castelos de areia:
um reino de ilusão.
Mulheres-sereias:
incontrolável paixão.

Sal na água
para esterilizar a maldade.
Sol intenso,
simplesmente claridade.

*

Surfistas comem ondas,
quebram os tubarões.
Artistas, como se fossem
crianças, brincam.

Reinados de areia:
uma ilusão de castelo.
Sereias da paixão:
mulheres incontroláveis.

Maldade salgada
esterilizada pela água.
Intensidade clara,
solar e simples.
      

sábado, 8 de outubro de 2011

ÓRFÃOS DA METRÓPOLE

Sem pais, sem mães, sem amigos,
sem nenhuma perspectiva;
nem são joios, nem são trigos
(não lhes é dada alternativa).

Homens esquecidos,
marginalizados,
pobres e vencidos;

homens rejeitados
e sempre feridos,
sós, abandonados.

Almas metropolitanas
de gênesis duvidosa,
da geração suburbana
dessa gente silenciosa.
   

sábado, 1 de outubro de 2011

QUERO A CERVEJA DA TV!

Aqui o mercado de tudo é capaz:
colocam uma galega que é demais
em uma tanguinha fio-dental,
fazem um excelente comercial.
Adivinhem para que? Ora veja,
simplesmente para vender cerveja!
E eu ainda tenho a esperança
de achar aquela praia sem criança
para saborear minha espumosa
acompanhado de uma gostosa
com a praia sempre limpa e cheia,
onde é proibido gente feia;
ou então de encontrar um bar
igual ao da TV, bebe-se sem pagar!
Isso não é conversa de embriagado,
se me compreendeu, muito obrigado!
Mas se você não me entendeu...
Neste caso o problema não é meu.