sábado, 24 de setembro de 2011

O SOL QUE VEM DO POENTE (excerto)

De corpo fechado o garoto
tinha a responsabilidade
de idealizar a salvação
pela alegoria do sol-lua.

Pensou nos miseráveis,
na fome, na pobreza
e na infelicidade,
fingindo ter certeza
que tudo vai mudar,
transformar-se em beleza.

Quis que o sol que vem do poente
fosse o avatar dos excluídos:
um faz-de-conta da miséria
ou um mau momento passageiro.

Mas no fundo sabia,
tentar mudar o curso
das relações humanas
não é fácil percurso:
pois a desigualdade
é além do discurso.

Mesmo jovem, tinha certeza:
a segregação é concreta,
apenas quem está por cima
a vê como mera abstração.

Como sonhar não custa,
dava continuidade
à salvação solar
com doce ingenuidade
que concretizar-se-ia
sua nobre vontade.
   

19 comentários:

  1. O sol que vem do poente encontra-se completo no e-book homônimo, disponível para download no blog.

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  2. E, sem sua nobre vontade, pior ainda seria.

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  3. "Mesmo jovem, tinha certeza:
    a segregação é concreta,
    apenas quem está por cima
    a vê como mera abstração."

    Essa estrofe é simbólica da cegueira provocada pela ideologia de que falava Marx e que cimenta a desigualdade. Marx nos dois primeiros versos, Hegel e sua visão abstratizante nos dois últimos.

    Grande abraço.

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  4. "Como sonhar não custa,
    dava continuidade
    à salvação solar
    com doce ingenuidade
    que concretizar-se-ia
    sua nobre vontade."

    É isso....
    Beijos

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  5. "A igualdade consiste em tratar desigualmente as coisas desiguais" Marx

    abraço

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  6. Como sonhar não custa, prossegue-se.

    Cru e nu, um retrato de um cidadão comum neste mundo capitalista globalizado.

    grande abraço!

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  7. O Fred: que texto bom!

    Nesse mundo em que cada vez temos mais desigualdades: alento!

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  8. Hj venho pedir sua participação com o intuíto de incentivar as crianças num projeto de vôlei:
    http://voleiemrede.blogspot.com/...sua presença no blog é um ponto a mais neste set!
    Obrigada...Andreza

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  9. Um belo culto ao sol e à vida... Até mesmo na reflexão sobre a desigualdade pode-se encontrar beleza.

    Querida, o Biacentrismo está de cara nova! Agora os comentários estão abertos de novo e espero suas opiniões lá! Também nos curta no facebook, tem uma caixinha do lado onde você clica em "like" :D O blog também está divertido e cheio de novas seções! Te espero lá! Um beijo

    http://biacentrismo.blogspot.com

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  10. Sonhar não custa nada. É tão divino!
    Lindos versos, meu querido. É sempre bom te ler!

    Au revoir :)

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  11. a coisa tem que ser bem feita. e tu fez.
    muito bom!

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  12. "Mesmo com toda a fama, com toda a brahma
    Com toda a cama, com toda a lama
    A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
    A gente vai levando essa chama"

    beijos,
    boa semana!

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  13. Mudar, mudar...
    um instante um minuto
    já é o bastante...

    senti uma alegria tão grande ao ler esse poema.
    abraço

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  14. Amém Fred, que a prece desse menino seja escutada.

    Beijo!

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  15. Parece uma oração Fred...
    Lindo.
    Bjs

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  16. Belo e induz a mil pensamentos!...

    Gostei das [re]leituras com Marx!...


    Beijos =)

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  17. Lembrei tanto do Belchior...

    "Era um homem de bons modos:
    "Com licença; - Foi engano"
    Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
    Que caminha para a morte pensando em vencer na vida..."

    Que bonito, Fred...
    Beijos!

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  18. Às vezes é mesmo preciso um pouco de ingenuidade...

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