sábado, 20 de agosto de 2011

DESUMANOS DAS HUMANAS

Trata-se do curioso grupo
dos produtores do saber
das ditas Ciências Humanas:
os mais eloquentes do mundo.

São elitistas verborrágicos
escondidos atrás dos livros
e das suas teorias insólitas:
muito se lê, pouco se faz.

Enclausurados por si mesmos,
divagam sobre metafísica
nos mais diversos idiomas:
são tão cultos quanto herméticos.

Estendem a bibliografia
com uma mera referência
que poderia ser dispensada:
vaidosos acima de tudo.

A simplicidade dos gênios
cede lugar à arrogância
intelectualmente nata:
sapiência idem prepotência.

Sob o seu teórico-tutor,
permutam carícias e críticas
para também serem citados:
lidos apenas por si mesmos.

Estudam problemas sociais
sem pensar na sociedade,
mas sim pensando no currículo:
incansáveis buscando títulos.

Eles enaltecem as massas
em suas produções acadêmicas,
mas são herdeiros das elites:
o poder flui do discurso.

Em uma distância segura,
estudam casos de pobreza
com total precisão científica:
mais estatísticas sem metas.

Ainda almejam mudar o mundo
mesmo sendo conservadores,
mesmo sem pôr os pés na rua:
são contradições coerentes.
   

23 comentários:

  1. Originalmente publicado no Poetas de Marte.

    Desumanos das Humanas encontra-se no e-book Contradições Coerentes, disponível para download aqui mesmo no blog.

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  2. Isso muito me entristece - não só a dureza das palavras mas, principalmente, o saber que são a mais desumana verdade.

    Abraços, Caju!

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  3. Sem meias palavras - mais: palavra e meia.

    Abraços!

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  4. Quantos mais assim, outros tantos desumanos......

    abraço

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  5. muito se lê, pouco se faz.

    Realmente Fred.
    Tudo parece ser feito para o próprio ego.

    Beijos!

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  6. Se a poesia serve a diagnósticos sensíveis do meio, esse é o caso. Com conhecimento de causa. E eu diria que é um poema dramático.

    Abraço.

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  7. Excelente crítica em forma de versos. Uma visão clara sobre a tecnocracia e a arrogância humana.

    abraço!

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  8. teoria e práxis, dilema atávico


    abraço

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  9. Pois é poeta! Muito se lê! Pouco se faz!
    Mas isso é também na nossa arte, não acha?

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  10. o que vou dizer de um brilhante texto aqui escrito? Sim, belíssimo parabéns

    Beijos

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  11. E são as piores das contradições!

    Belíssimo!

    Beijos

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  12. Adoro seus poemas críticos...
    Adoro a crítica poética com sabor de caju...


    Beijos =)

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  13. mermão,tava falando disso com o pessoal da minha sala,vc só confirmou meu pensamento,parabéns pela coragem e força,abraço.

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  14. É tão verdade..
    São os conhecidos revolucionários de poltrona, aqueles que, ainda quando vêem pessoas lutando pelo que se acredita, criticam e julgam.
    Escorrem dissabores, vivem pra dentro.

    ótima crítica Caju.

    um beijo cacheado.

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  15. Galera, vale a pena ler a obra completa de onde a belezinha desse poema saiu =]

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  16. gente que minimiza cultura e educação a "leia um livro e desligue a televisão"
    gente que lê sem saber ler
    gente que não quer saber de ver

    Bjos.

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  17. É complicado entender como ainda atuam,no meio acadêmico, seres que enaltecem a vaidade a tal ponto. Sobetudo nas Universidades Públicas presenciamos essa manifestação nefasta.

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  18. A teoria só serve para os teóricos, né?

    Ainda bem que existem poetas. Só sabe o que é o ranço quem prova do caju.

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  19. Fred, o mundo anda ao contrário não é? A busca na cabeça causa labirintos, é preciso sentir com o ser, sem ceder o impulso de teorizar! Beijos

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  20. Realmente, quem mais lê e reclama é quem menos faz algo. Inclusive, lembrei que conheço gente que pouco sai de casa e quer entender das personalidades humanas a fundo, vai saber como a pessoa vai fazer isso sem contato...! -.-"


    Muito interessante seu poema (como sempre). ^^

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  21. Quanta verdade,
    meu caro Fred..
    Parabéns

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