sábado, 30 de julho de 2011

AVE-BALA

Uma bala perdida
encontra a vida:
a criança ferida
e cadê a saída?
  

sábado, 23 de julho de 2011

O MALABARISTA

                                                        “Escrevemos cada vez mais
                                             para um mundo cada vez menos”
                                                              (Alberto da Cunha Melo)

Certa vez perguntaram ao poeta:
— Mas para que serve a poesia?
Ele responde olhos nos olhos:
— Para você, nada...
  

sábado, 16 de julho de 2011

A CARTA

Ô, minha nêga, aquela carta
não me deu pr’eu escrevê...
Né culpa minha não, viu moça?!
Mas prometo que vô te fazê
um bem lindona, pra roubá
teu coração quando tu fô lê.

Vô te explicá o qué que teve:
o doutô me chamô de jumento
dizeno que tava tudo errado,
faltava as vírgula e os acento.
Então, joguei a carta na janela,
quem deu cabo dela foi o vento.

O doutô é um homi inteligente,
mas vou te contá um segredo:
eu num entendo é porra nenhuma,
acho que ele fala é grego.
Se ser sabido é falá assim,
deixa pra lá que eu tenho medo.

O doutô me chamô foi de burro
mas eu nunca que comi capim.
Ele disse que tava errado
“te amo” que fiz num bilhetim
pra te dá, mas errado tá ele,
que eu te amo muito, sim.

Até queria tê os livro dele,
mas só tenho a Bíblia pra lê,
mas as letra é tão miudinha
que dá dô de cabeça só de vê.
Eu num tenho grana pra livro,
então, o qué que posso fazê?

Qué sabê?! Nem carta, nem nada!
Eu vô é pr’aí te vê, morena!
Vô enfrentá essa distância toda
que sei que por tu vale a pena
e vô te dá um abraço forte
e te enchê de bêjo de cinema!
   

sábado, 9 de julho de 2011

BOM DE BOLA

Travou com a miséria
com sua força física.

Driblou a pobreza
com seu toque ágil.

Tabelou com a vida
com entrosamento.

Agarrou-se aos ares
com um salto mágico.

Usou a sua cabeça
para definir o jogo.

Abraçou-se ao mundo
como se fosse deus.

Levantou o troféu
erguendo até a alma.
  

sábado, 2 de julho de 2011

PELA JANELA DO EDIFÍCIO

Pela janela do edifício,
um certo jovem sonha,
como se estivesse ébrio
ou chapado de maconha.
Pela janela do edifício,
o verde brota do chão
na figura de uma árvore
cercada de pó e poluição.
Pela janela do edifício,
onde só se via o cinzento,
agora, uma imensa árvore
tem suas folhas ao vento.
Pela janela do edifício,
a árvore vê o sonhador,
o jovem também a observa
com certo receio e dor.
Pela janela do edifício,
um pressentimento ruim,
o jovem sonhador lembra
que não regou seu jardim.
Pela janela do edifício,
a árvore com o vento,
um jardim sem a água,
o jovem sem sentimento.