sábado, 30 de abril de 2011

EU PERDI O MEDO DA SOLIDÃO (excerto)

Eu perdi o medo da solidão
assim que reaprendi a viver,
portanto, caso você queira
me proibir da sua alegria,
se distanciar do meu lado
ou até silenciar a sua voz,
você não precisará hesitar:
já descobri o amor próprio.
Eu perdi o medo da solidão
não me importo mais em ter,
ser é a essência verdadeira,
não quero mais a anestesia,
pois, da dor, estou curado:
eu já não me lembro de nós,
nem quero voltar a lembrar.
Eu perdi o medo da solidão
e já não tenho o que temer,
eu possuo a melhor maneira
para apreciar a melancolia:
elevo minha dor ao quadrado
em um ritmo bem mais veloz.
Eu perdi o medo da solidão
para reaprender a escrever,
para que a rima derradeira
cumpra seu papel na poesia,
para que eu cumpra meu fado.
Eu perdi o medo da solidão
e aconteça o que acontecer,
seja ou não, a sexta-feira,
trocarei a noite pelo dia.
Eu perdi o medo da solidão,
agora mato para não morrer,
como uma ave-bala certeira.
Eu perdi o medo da solidão
no momento que perdi você.
  

sábado, 23 de abril de 2011

MINHA POESIA

Minha poesia, meu verso,
minha lira ao inverso,

minha preguiça métrica,
falta de ritmo e estética.

O que eu faço é uma arte?
Isso já é um caso à parte...
   

sábado, 16 de abril de 2011

COLAR

Eu faria qualquer esforço
— como já virou costume —
para beijar teu pescoço
e sentir o teu perfume.

Seria delicado
(o teu predileto),
um amante-amado;

eu seria completo:
sempre do teu lado
com todo meu afeto.

Queria estar no teu cangote,
queria ser o teu colar,
chegar até o teu decote
ou quem sabe te enforcar.
  

sábado, 9 de abril de 2011

DONA MARIA

Nem lembro que foi tão distante,
o mundo gira muito rápido;
antes da minha despedida
eu recordo em um breve instante
o mais marcante em minha vida.

A minha memória ainda insiste
em voltar para a minha infância
onde vi a minha mãe espancada;
ah, como era tudo tão triste
ver aquilo sempre calada.

O tempo foi passando lento
— bem diferente desses dias —
e eu crescendo com muito medo;
conviver com o sofrimento
foi uma lição que aprendi cedo.

No meu momento de casar
acredito que estava cega;
a vida quis brincar comigo,
eu não poderia imaginar
reviver o mesmo castigo.

Aquilo não era um casamento,
eu não conhecia a liberdade;
a minha sina se repetia:
eu tive o mesmo tormento
que a minha mãe tanto conhecia.

Porém, comigo foi diferente:
eu dei um basta nessa situação;
resolvi parar de sofrer
e decidi seguir em frente,
pois eu precisava viver.

Eu tive medo e foi difícil,
mas com muita dificuldade
eu consegui sair vitoriosa;
agora tenho um nobre ofício:
eu sou uma mulher corajosa.

Já tenho tudo o que preciso,
eu formei uma linda família,
que até pode não ser perfeita,
mas sempre me enche de sorrisos,
o que me deixa satisfeita.

Eu quero manter na memória
as histórias da minha vida;
quero mantê-las conservadas,
tristes ou boas, essas histórias
sempre merecem ser narradas.

Buscando dentro do passado
posso encontrar a minha paz,
posso chorar, mas posso rir;
com meu coração sossegado
já poderei me despedir.
   

sábado, 2 de abril de 2011

DONZELA EM PERIGO

 Sempre
Compre
Comprove
      E prove

   Em suma
     Assuma
  Consuma
       E suma