sábado, 5 de fevereiro de 2011

ENQUANTO ISSO...

Enquanto a socialite pernambucana
devora camarões ao alho e óleo
e outras derivações na Praia de Boa Viagem,
bem perto dali, um homem dos Coelhos
encontra-se com outro do Coque
para interceptar a linha CDU/Cax./B. Viagem.

No exato momento que dois garotos,
um do Espinheiro, e outro dos Aflitos
batem um papo descontraído pelo computador,
uma adolescente lá de Santo Amaro,
vende o seu corpo por dez reais
para um coroa de terno e gravata.

Enquanto em uma festinha jovem,
com canhões de luz e gelo seco,
é regada a vinho e comprimidos ilícitos,
a maconha e a cola de sapateiro
correm soltas pelos semáforos e esquinas,
sem nem ter música pra acompanhar.

Durante a comoção geral da mídia
pelo jovem assassinado à queima-roupa
dentro do carro 0 Km de seu pai,
nove jovens (que são chamados de menores)
morreram em nove esquinas diferentes
velados pelo silêncio da tevê.

E, por fim, enquanto a classe alta
se prepara para o seu sono tranqüilo
em seus travesseiros de plumas de cisne,
o subúrbio, que fora excluído,
ajoelha-se e começa a sua oração
próximo a cama escorada por tijolos.
   

40 comentários:

  1. Enquanto isso... encontra-se no e-book Pentágono, disponível para download aqui mesmo no blog.

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  2. Enquanto eu leio o teu poema e comento aqui no blog tudo isso acontece e eu permaneço aqui, sentada. :/

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  3. Meu amigo, sensacional esse poema! Feito da matéria bruta e absurda dos nossos contrastes. Aí, aqui, por toda parte desse país. E até além dele. Sei que pelo melhor dos seus sentimentos, você gostaria que ele se tornasse um poema datado. Mas como isso iria demorar! Se é que chegará esse dia em que ele pareça não ter referências concretas...

    Um grande abraço.

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  4. E tudo isso dói (tava lendo tudo e só de butuca, mas hoje tive que comentar). Bjs

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  5. Bravo, Fred!
    Bravo!
    Tudo o que contas nos teus versos é realmente lamentável... Mas, infelizmente, é essa a matéria - prima que sobeja por aí: é preciso, com ela, construir versos!
    Forte abraço, amigo!

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  6. Durante o momento reflexivo de percepção que nos faz percebermos o quão miserável e excludente é a realidade, as pessoas que não pertencem a nenhum dos lados olham de cima do muro a própria impotência refletida no caos.

    muito bom mesmo, cara. Parabéns.

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  7. Fred

    Seus textos poéticos são sempre tão humanos, tocantes e reais.
    Gosto muito.

    Beijos a(caju)ízados

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  8. Os classe alta só se preocupam se algo os atingem. Do contrário, não tão nem aí.....http://grandeonda.blogspot.com

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  9. Poema excelente: um tapa na cara da hipocrisia e de quem vive como se nada acontecesse. Me lembrou Capitães da Areia. Já leu?
    ..................................

    Eu li todos os seus e-books (e dos seus amigos tbm) de um dia pro outro...pode ser uma explicação pra tal combinação do meu poema...

    Abraços,

    J.

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  10. Infelizmente a realidade é essa. Um abraço.

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  11. Enquanto isso eu leio tua poesia...beleza em meio ao caos! Bjos

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  12. Dizer o que, se você já disse tudo?
    Poesia dos infernos, onde vivemos.

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  13. Bravíssimo! eis a vida no mundo de deus e ateus "Poeta Fred e Bob Dylan" um olhar sobre BLOWIN' IN THE WIND.... e teu poema "Enquanto isso..... traz um trago amargo catarse ( poeta você fala por nós) onde comunga a fraternidade da estação mais bonita do verão eternamente desigual. Sob o teu poema há muito o que dizer, muito mesmo cada verso uma reflexão profunda filosófica. A dualidade sempre presente céu e inferno, mas prefiro em sincero o lado dos que nada tem pois é o resumo do sumo da vida.

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  14. Caju de Fred, querido,

    Todos os sábados venho aqui gritar com vc e fico imaginando se o mundo fosse um enorme cajueiro, que maravilha viver, mas infelizmente o que brota são ervas daninhas.
    Um beijo enorme e obrigada pelo parabéns!

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  15. enquanto isso inspira o roteiro de um filme, maravilha


    abraço

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  16. dessa vez teve lágrimas. e um longo silêncio atordoado.
    beijos chorados, poeta.

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  17. dum lado a miséria do outro o luxo, a permear o cenário a poesia...pois pois realidades frias

    beijos

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  18. Enquanto isso, eu me acho às vezes tão impotente, e a impotência mata devagarinho. Tão cru e real o que dizes. Eu sofro. Mas sofrer não é nada.
    Beijos,

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  19. Um poema cheio de imagens, Fred. Uma paulada...guri, é sempre bom demais vir aqui. Bjo!

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  20. Muito bom, camarada, seu poema. Ele me lembra um outro poema de Langston Hughes, "Advertisement For The Waldorf-Astoria", em que ele faz um convite a todos os "descamisados", famintos, mendigos, fod... da cidade de Nova Iorque para comer nesse hotel de luxo. Um contrassenso q vc também explora em seu poema. Muito bom.

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  21. Um poema cheio de verdades e contrastes. Sensível. Para ser lido , relido e pensado...
    A vida é feita de diferenças.
    Belo !

    Beijos

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  22. Fred, não sei se lhe agrada,mas tem um selo para você em meu blog.

    Um abraço

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  23. Fred, estou sem palavras, querido.

    Que poema lindo! Realidade brutal... eu adoro poemas sociais, mas nunca consegui fazer um realmente bom.

    Parabéns, poeta!
    Grande beijo! :)

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  24. show!
    porque a vida acontece para todo mundo.


    bjs meus, querido.

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  25. Esse é o nosso mundo. Horrível.
    você disse tudo. Pronto.

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  26. otimo o poema, e impossivel nao ver e ler o blog pelo menos uma vez a cada dois dias...
    abraço.

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  27. ótimo poema... Muito reflexivo e verdadeiro...
    Sobre o meu poema PÓLVORA, a pólvora pode ser a paixão...
    Abraços

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  28. pois é meu véio,é triste!
    fico me perguntando oq eu posso fazer pra ajudar a mudar isso! :(
    abraço e foi um prazer te conheçer na recepção dos calouros,fui!

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  29. os tristes constrastes nossos de todo dia.
    texto ótimo ein.
    adoro vir aqui...

    ps: hoje é dia do frevo e lembrei de você.

    deixo um beijo.

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  30. 'Oh, mundo tão desigual, tudo é tão desigual...'

    Quando vai acabar a indiferença no mundo?

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  31. Agradecendo a sua visita carinhosa ao meu blog, escrevi o seguinte:

    Fred, permita-me chama-lo de poetamigo. É gratificante para mim saber das boas lembranças que você guarda das nossas reflexões em Educar para os direitos humanos. Fico feliz pela visita ao meu pequenino blog e aproveito o instante para agradecer pela atenção e pelo carinho. Vou, sempre que possivel registrar um recadinho no seu blog poético. Aguarde-me. Saudaões indígenas, Graça Graúna

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  32. Menino Fred...
    seja bem vindo entre as folhagens...
    meu verde é intenso mesmo...Obrigada!
    bjks doce no ♥

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  33. Muito bom este blog! Já estou a seguir. Abraço

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  34. Li o texto que me falou, mesmo não sendo sua praia, achei divino.

    Tentarei vir aqui mais vezes, adorei.
    Um abraço!

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  35. adorei seus escritos...leves e críticos...doces e ácidos..voltarei...vou te seguir!

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Salve, salve, camarada!
O Sábados de Caju
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