sábado, 8 de janeiro de 2011

CENAS DE SEMÁFORO

Avenida Agamenon Magalhães
onde passo todas as manhãs.
Vermelho: cor que ficou o sinal,
é sinal de fechar a janela.
Por aqui isso já virou normal,
mas isso não é só na capital.
Os carros já estão na espera
da cor daquele sinal mudar.
Para também mudar as suas cores
brancas de medo, querem respirar...
Respirar todos aqueles odores
da Avenida Agamenon Magalhães
onde passo todas as manhãs.
Presencio retratos da miséria
que não é tratada de uma maneira
que realmente se diga séria.
Lá garotos não têm brincadeiras,
e ao invés de estar numa escola
muitos estão cheirando cola,
roubando ou pedindo esmola
na Avenida Agamenon Magalhães
onde passo todas as manhãs.
Meus caros, lá carros caros
com medo, nem param nos semáforos.
Certa vez, nesse mesmo itinerário,
onde só mudava o horário,
junto a um carro, uma tal criança
suja, sem resquícios de esperança,
pediu algum dinheiro ao motorista,
este, acelerou com velocidade
que o carro quase saiu da pista
não atendendo sequer a prece
da criança em sua mocidade.
Essa cena sempre acontece
na Avenida Agamenon Magalhães
onde passo todas as manhãs.
Numa outra vez, vi um homem
com uma arma de morte lenta,
uma morte-tortura muito violenta.
Essa arma que tinha no abdômen
era arma incapaz de homicídio,
era mais perigosa como suicídio.
Essa perigosa arma tem nome:
o nome dela, senhores, é a fome.
Cenas como essa circulam o Brasil
de uma forma que não é nada sutil.
Atingem o São Paulo, o BH, o Rio,
o Salvador, o Porto Alegre, o Belém,
atinge, no mundo, todos os lugares,
atinge o meu querido Recife também
inclusive por todos esse ares
da Avenida Agamenon Magalhães
onde passo todas as manhãs.
 

32 comentários:

  1. Cenas de semáforo encontra-se no e-book Tantos Problemas disponível para download aqui mesmo no blog.

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  2. estamos presos ao ar livre. janelas como metáforas de nosso corpo, de nosso coração. passar por aqui é sempre enriquecedor. um abraço!

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  3. Recife e todo o Brasil sofre da miséia da má distribuição de renda, onde um deputado ganha algumas milhares de barganha e o pobre alguns reais de esmola-salarial ou mendigal.

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  4. aqui em São Paulo então nem se fala - é vidro fechado pra todo lado - beijos!

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  5. Aqui já não é mais assim não!
    Salvou-nos a tomada redentora
    do complexo do alemão,
    instaurou-se o paraíso!
    Não acredita? Quer ver?
    É só ligar a TV! eh!eh!eh!

    Abração!

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  6. Olá Fred,cá estou novamente lendo você,realmente estamos todos em uma redoma de vidro,o qual muitas pessoas nem o sentem.Um grande abraço!

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  7. Aqui no Tocantins essas cenas são mais raras em relação a outros estados, como por exemplo São Paulo, mas infelizmente elas existem.

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  8. E quando o Brasil vai acordar? Dar educação para estas crianças? Infelizmente isto existe sim, em todo lugar.


    Beijos

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  9. mesma pela distancia de lugares isso afeta o meu ser, sempre cai uma lagrima......
    muito bom ......
    abraçao

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  10. são os invisíveis dos sinais, aqueles que doem em serem vistos


    abraço

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  11. Ainda me espanta essa maneira que a poesia tem de deixar as tragédias bonitas!
    Um brinde a você, poeta!

    p.s: "A vida não é romance" é um filme que passava na TV na hora em que eu escrevia aqueles versos. Eu não o assisti. Achei o título forte e não consegui desvinculá-lo dos versos, não tive escolha. Fiquei sabendo que antes de filme é um livro que eu também não li.É isso! Beijos!

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  12. essa avenida mais parece uma encruzilhada...

    pros teus poemas o sinal é verde!

    (claro que agradeço e aceito o seu convite)

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  13. fizeste um retrato do (infeliz?) cotidiano com as tuas palavras.
    perfeito.

    um beijo

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  14. olá fred! estive ausente esses dias, mas valeu pela lembrança, feliz 2011 atrasado pra você também! beijo!

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  15. Huahauhauhuahuahauhauha.
    Adoro a gravação que vc fez do poema!

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  16. pensando bem... acho q a risada ñ pegou bem...
    desculpa, poeta. O poema é foda, é q lembrei da gravação em si. Que cá entre nós é engraçada.

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  17. Sempre gostoso ler e saborear!...

    Boas sinestesias!


    Beijos =)

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  18. é triste saber que as pessoas simplesmente não se importam, e saber que existem pessoas que escrevem sobre a realidade é muito bom, mas seria melhor que todos pudessem ver toda a miséria que há no mundo...

    Beijossss

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  19. Cenas de Vida e de morte do SER HUMANO,de ser humano.

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  20. passando pra te apreciar aqui também
    beijossss

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  21. dando responsabilidades ao leitor - que a miséria é fruto da terra onde pisamos.

    bjo

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  22. As cenas sempre se repetem. Triste, triste.

    Um abraço para você!

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  23. A realidade às vezes não tem uma gota de poesia. Cabe a pessoas como você traduzi-las.

    Curti o blog, meu caro!

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  24. Fred, lindo blog. Obrigada pela visita e já te sigo também. Convido-lhe a participar de uma enquete no blog sobre os desejos masculinos. Bjs

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  25. Gosto desse caju mordido... o pedaço que desce arranhando a garganta!

    Belo, belo post, meu querido Fred.
    Bjão

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  26. Fred,
    você respira poesia. Gostei da arte em forma de protesto. Um triste retrato do Brasil mostrado através de um poema. Boa reflexão.
    Beijos
    ............................
    PS- Tem dias que fico melancólica. Não deixe de gostar mesmo assim.

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  27. Este comentário foi removido pelo autor.

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  28. cenas que se repetem
    por toda parte e através do tempo
    essas da Av. Agamenon Magalhães.

    Parabéns pela poesia e pelo espaço.

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  29. construimos nossas próprias jaulas.


    gde bj meu.

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  30. Fred,

    O real é sempre tão insurpotável ao humano que inventamos tanto pra deixá-lo mais respirável...Daí temos a literatura, a arte, as virtualidades, as crenças... Porém, nem mesmo a beleza que há na criatividade do homem nos livra de sentir as dores que o cotidiano pode nos infligir, né?!

    Beijos...

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