sábado, 15 de janeiro de 2011

AR(VORE)-CONDICIONADO

Em meio ao grande caos urbano,
onde tudo é cercado pelo muro,
o rapaz com excesso de solidão
contempla o que é o amor puro.

Trata-se de uma união bizarra,
porém, uma relação apaixonada;
um antigo ar-condicionado rega
uma árvore com água destilada.

Quando acionam o tal aparelho,
o vegetal é suavemente regado;
uma forma de afeto que só para
apenas quando ele é desligado.

O ar-condicionado que resfria,
é o mesmo que aquece com vida;
enquanto ele nos mantém frios,
ele deixa sua árvore aquecida.

A fragilidade desse matrimônio
causa um mal-estar no coração;
árvore cortada, aparelho ruim:
mais uma vez, vence a solidão.
  

32 comentários:

  1. Ar(vore)-condicionado encontra-se no e-book Monopólio da Solidão disponível para download aqui mesmo no blog. Há também um vídeo do poema no CAJUTUBE, vídeo este, também dísponível em Poetas de Marte (04/01/2010).

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  2. Baixei o livro, já conhecia esse poema, me calo quando assunto esses versos-cotidianos.

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  3. Esse já era o meu preferido, desde vi o CAJUTUBE.

    Ótima escolha.

    (...e a peleja continua, lá no 'Dadiva...')

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  4. gostei dessa mistura funcional,

    abraço

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  5. Amor sem ar... condicionado!
    Êta, poeta porreta!
    Bjão, Caju querido, bom domingo

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  6. Estará tudo condicionado a solidão?

    Rapaz, você é um observador inspirado das despercebidas confluências (e das condicionadoras divergências) urbanas.

    Grande abraço!

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  7. A solidão é o maior verso do poeta Egoísmo. Brinca demais com a gente, não?
    Bom poema.

    Abraço!

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  8. Pois agora lá no Interrogações, além de ter de tudo, vai ter Caju nos favoritos. Eita cajuzinho inspirado!

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  9. Oi Fred! Obrigada por sua visita e comentário. Adorei conhecer seu espaço. O poema é muito inspirado. Super abraço.

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  10. download feito!
    :)
    Sempre surpreendente.

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  11. Fred, meu querido
    Chego com um dia de atraso, mas chego, para deleitar-me...
    Poema magnífico!
    Forte abraço, amigo.

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  12. Acho que eu já te disse, mas faço questão de reafirmar: Monopólio da Solidão é o meu preferido! [Apesar de ter lido primeiro Jardim da Ausência, que também gosto demais]

    ;*

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  13. A solidão vence algumas vezes, mas ainda é válido lutar.

    Beijos

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  14. Ar/condição/vida/função/extinta a relação/heis a solidão.

    Poética é sua constatação, linda e confluente.

    Abraços!

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  15. Solidão condicionada à atual condição humana.

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  16. Que bela e inusitada história de amor...és um gênio!!!

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  17. maravilha ler AR(VORE)-CONDICIONADO- tanta coisa em cada verso percepção abençoada.

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  18. Fred,

    Uma honra você lá no meu blog. Adorei conhecer seu blog e seus poemas.
    Virei com mais tempo.

    BeijooO*

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  19. Olá! Muito obrigada pelo seu comentário! :D Ainda bem que gostou do meu blog tanto quanto eu gostei do seu! ;) Sem dúvida que Radiohead é uma das melhores bandas que eu conheço! beijo e espero o próximo poema! beijo! :*

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  20. Belíssimo poema, meu amigo. :)
    Extremos que se encontram e partilham da a vida...

    Beijos

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  21. Nunca se deix vencer pela solidão!! Te sigo!!

    Bjs!

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  22. Quanta coisa numa poesia só! rs.
    Bacana.

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  23. Diferente, legal, adorei.

    A imagem dos cajus é linda!!!

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  24. Fred.
    Interessante comparação.
    Como sempre linda poesia. Reflexiva.
    Profunda.

    Beijão

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  25. teus poemas levantam bandeiras com muita categoria...

    és um poeta diferencial!

    beijo, caju.

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  26. "A fragilidade desse matrimônio
    causa um mal-estar no coração;
    árvore cortada, aparelho ruim:
    mais uma vez, vence a solidão."

    Obrigada pelo teu reconhecimento... Faço minhas as tuas palavras :) estás de parabéns! Passo a seguir-te porque assim não hei de perdê-lo. Abraços!

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  27. Não sei o porque do inusitado que causa um poema, veja bem lembrei da Carmen Miranda surreal não? talvez por ser menino neste tempo e nos momentos de estar só percebia o vazio, a solidão, então finalizando diante de um menino desponta o futuro em tecnicolor, graduação da arte de rearranjar sem definições consagradas apenas vida NOIR.....

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  28. A grande maioria dos homens suporta a vida sem muito resmungar, e acredita então no valor da existência, mas precisamente porque cada um quer e afirma somente a si mesmo, e não sai de si como aquelas exceções: tudo extrapessoal,para eles, ou não é perceptível ou o é,no Maximo,como uma frágil sombra.Portanto,para o homem comum,cotidiano,o valor da vida baseia-se apenas no fato de ele se tomar por mais importante que o mundo. A grande falta de imaginação de que sofre faz com o que não possa colocar-se na pele de outros seres, e em virtude disso participa o menos possível de seus destinos e dissabores. Mas quem pudesse realmente deles participar, teria que desesperar do valor da vida: se conseguisse apreender e sentir a consciência total da humanidade, sucumbiria,amaldiçoando a existência,-pois no conjunto a humanidade não tem objetivo nenhum, e por isso, considerando todo seu percurso, o homem não pode nela encontrar consolo e apoio, mas sim desespero.Se ele vê , em tudo o que faz,a falta de objetivo último doa homens, seu próprio agir assume a seus olhos caráter de desperdício.Mas sentir-se desperdiçado enquanto humanidade( e não apenas como indivíduo), tal como vemos um broto desperdiçado pela natureza, é um sentimento acima de todos os sentimentos.Mas quem é capaz dele? Claro que apenas um poeta.

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