sábado, 27 de novembro de 2010

O SOL QUE VEM DO POENTE (excerto)

O garoto, enfim, desperta:
a luz atravessa a janela
como se ferisse seus olhos
ao renascer de mais um dia.

Não foi uma noite insone,
o tic-tac ao seu lado,
nem um galo-tenor
que lhe trouxe o recado:
pois, mesmo sem aviso,
já estava acordado.

Sem ao menos piscar os olhos,
pôs-se a contemplar o sol,
desafiando os raios solares
com a coragem de quem sonha.

O campo de batalha
apenas aguardava
a guerra desse encontro:
aquele que brilhava
contra os olhos nus
daquele que sonhava.

Nos domínios do céu de fogo,
reinava a grande estrela, o sol,
que enviava tropas de raios
ao quarto do jovem ousado.

No quarto atacado,
a sombra resistia;
perdendo mais espaço,
aos poucos se rendia
para contra-atacar
no fim do mesmo dia.
    

sábado, 13 de novembro de 2010

AMPLITUDE COMPACTA

Um canto em cada canto,
sendo amplo mas nem tanto.

Compacto: sem nenhum pacto
de sempre causar impacto.

Também detém um encanto
que dissolve todo pranto.

Sintético, mas gigante
como um silêncio gritante.

Quer apenas um recanto,
nem herético nem santo.
   

sábado, 6 de novembro de 2010

HORÁRIO NOBRE

A audiência aumenta, a paciência reduz,
a mocinha siliconada sempre me seduz
e o vilão das oito tem os olhos azuis;
meu Deus, aonde isso tudo me conduz?