sábado, 17 de julho de 2010

FADO INEVITÁVEL

Pensou que seria simples
se livrar de sua poesia,
achou que ficaria em paz
de uma noite para o dia.

Passaram-se vários anos,
talvez estivesse curado;
não escreveu seus poemas
e ficou mais descansado.

Deixou de lado a poesia,
aderiu a uma vida normal
e deixou de sentir a dor
para ficar lendo jornal.

Depois de fazer família,
labutar com remuneração;
percebeu o quanto era só
e que tudo é uma ilusão.

Ele aceitou que sua vida
sempre seria incompleta,
e assim gritou ao mundo:
ainda, ou sempre, poeta!
    

15 comentários:

  1. Originalmente publicado em: Lacunas do Tempo (29/05/2010).

    Fado inevitável encontra-se no e-book Monopólio da Solidão, disponível para download aqui mesmo no blog.

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  2. Fred
    Vim retribuir sua visita e encantei-me com seu espaço e com seus escritos!
    Lindo este seu Fado Inevitável...
    Poesia cheia de verdade, de sensibilidade.
    Também senti-me em casa, aqui. Por isso, a partir de agora sigo-te e voltarei sempre!
    Enorme abraço !

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  3. O ser humano e sua incrível capacidade de adaptar-se, até ao que dá mais asco. Antes a poesia como cano de escape do que o deus tão mal-falado.

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  4. quem puxa aos seus não degenera,

    abraço

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  5. eu tb acabei cedendo. as vezes a vida n é só prosa, n é mesmo? Beijinhos sem ter fim.

    E sim, vc tem razão todos merecem uma poesia.

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  6. Muito, muito bom, poeta! =)

    Cada um sabe a dor
    e a delícia
    de ser o que é...


    =*

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  7. Na expectativa do próximo sábado. Boa semana!

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  8. Psiu! Amo você, gatão.

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  9. !STO TUDO PORQ O POETA E A PARTE DE MENOS !MPORTANC!A DA PROPRIA POES!A..........

    SAUVA POETA..........

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  10. Muito bom, com um sabor de mini-cordel. Há momentos em que, dependendo de como a gente encara a palavra, esse fado se faz fardo mesmo.
    Gostei muito do seu comentário lá no Diário.

    Grande abraço.

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  11. "aceitou que sua vida
    sempre seria incompleta"

    ...é o princípio.

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  12. Seguindo "Monopólios da Solidão" parei para regurgitar: Parabéns!
    Poema muito bem defenestrado!
    «Pensou que seria simples» se muito bem pensou, melhor o fez!
    «percebeu o quanto era só», boa companhia criou e recebe!
    « e assim gritou ao mundo:
    ainda, ou sempre, poeta!»
    Poeta, um abraço!

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