sábado, 1 de maio de 2010

NA SUA AUSÊNCIA

Os meus olhos foram quebrados,
eles são um par de olhos alados.
A minha retina está em brasa,
sozinha, voando pelos ares,
como uma fumaça com asas,
à procura de bons lugares.
— Galopo em alados corcéis
e o poema dorme nos papéis.

A boca está paralisada,
não consigo falar mais nada.
Eu já não me alimento mais,
gostaria de te dizer tudo,
mas nem para falar sou capaz,
eu não sou covarde, sou mudo.
— Hoje já não tenho mais hálito
e o poema permanece inválido.

Estava na ponta do nariz,
mas eu não consegui ser feliz.
O fato já virou um axioma:
toda minha incapacidade
de poder sentir o teu aroma,
levou-me a fugir da cidade.
— Agora virei um foragido
e o poema ficou corrompido.

Eu não escuto mais a tua voz,
sinto uma barreira entre nós.
Não capturo mais nenhum som,
o mundo perdeu o seu valor,
e já não sei mais o que é bom
nem vejo sentido no amor.
— A vida perdendo a direção
e o poema sendo escrito em vão.

Fiz o que parecia impossível:
tornei-me um homem insensível.
Invalidei a minha epiderme
junto com os meus sentimentos,
hoje, sinto-me como um verme
indigno dos teus acalentos.
— Eu continuo com meu calvário
e o poema morre solitário.
   

7 comentários:

  1. Originalmente publicado em: Poetas de Marte (29/09/2009)

    Na sua ausência encontra-se no e-book Monopólio da Solidão, disponível para download aqui mesmo no blog.

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  2. Belas metáforas, belas imagens! E a ausência a percorrer os cinco sentidos... Lindo! Já disse que sou tua fã? ;)

    Beijo,
    Ane

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  3. Obrigada Fred pelo coments no Misturaçãp.
    Bem original o seu.
    Parabéns.
    Xeros

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  4. nem preciso falar mais desse poema =]

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  5. Bonito, moço... e um pouco doído também. De fato, os nossos poemas são opostos.

    Obrigada por ter tido a consideração de colhê-lo para me mostrá-lo. Muito legal de sua parte. Gostei. Quando eu me lembrar de um poema meu que você possa gostar, também o mostrarei.

    Beijão!

    Bom sábado, Caju! :)

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